Pesquisa indica avanço no endividamento e na inadimplência em setembro no RS

34,7% das famílias com renda menor que 10 salários mínimos estão com contas atrasadas

Conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC-RS), realizada pela CNC e divulgada em 2 de outubro pela Fecomércio-RS, o percentual de famílias endividadas atingiu 68,4% em setembro, ante 65,0% registrados em agosto de 2020. O resultado, embora denote a quinta alta consecutiva, é ainda inferior ao do mesmo período do ano anterior (69,9%). O comportamento para as famílias conforme o grupo de renda, porém, mostra situações diferentes: enquanto o avanço no percentual de endividados para famílias com menos de 10 salários mínimos atingiu 73,7% e ficou acima dos 71,1% registrados em setembro de 2019, o percentual de famílias com dívidas no grupo de renda superior a 10 salários mínimos permaneceu abaixo do patamar do mesmo período do ano anterior, registrando 46,3% ante 64,8% em setembro de 2019.

Apesar do aumento do endividamento, a pesquisa tem mostrado que isso acontece com menos famílias relatando estarem muito endividadas, conforme indicado por 10,3% das famílias em setembro de 2020 – percentual que marca 11% para as famílias do grupo de renda menor e registrava 20% em setembro de 2019. Entre os principais tipos de dívida, cartão de crédito continua como principal, conforme indicaram 85,5% dos endividados, seguido por carnês (39,1%), crédito pessoal (16,1%) e financiamento de carro (12,3%); 11,6% referiram ter dívidas com cheque especial.

Enquanto o patamar de endividamento para famílias com maior poder aquisitivo vem em linha com uma maior propensão a poupar desde o início pandemia, para famílias com menos de 10 salários mínimos, que contempla as famílias mais afetadas pela crise, o aumento do endividamento reflete, em parte, a importância do crédito para dar suporte ao pagamento de despesas correntes e manter algum nível de consumo. Porém, em um cenário de redução de renda e perda de emprego, um número maior de famílias reportou estar com contas em aberto. Em setembro, 29,6% das famílias indicaram ter contas atrasadas ante 28,4% em agosto de 2020, realidade indicada por 34,7% das famílias com renda mensal menor que 10 salários mínimos. O percentual de famílias com contas em atraso e que não terão condições de quitar suas dívidas dentro de 30 dias, que demarca o grau de persistência da inadimplência, por sua vez, ficou estável em 13,7%; para famílias com menos de 10 salários mínimos esse percentual corresponde a 18,1% de forma que, embora não tenha aumentado, segue em patamar elevado.

“Ao mesmo tempo em que os dados da PEIC-RS podem refletir o quadro de maior circulação das pessoas com o avanço das flexibilizações, por outro lado eles seguem mostrando as graves consequências da crise sobre as condições orçamentárias das famílias que mais têm sofrido com a crise diante da perda de emprego e do achatamento da renda em um contexto de orçamentos que já eram mais apertados. Embora os programas de suporte à renda e ao emprego tenham sido fundamentais para que o quadro financeiro das famílias não fosse mais grave, a melhora consistente nesse quadro deve vir apenas com a melhora consistente no mercado de trabalho”, comentou o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn.

Marina Goulart

Moglia Comunicação Empresarial