Artista visual traz temas como os desafios da vida e a relação corpo e saúde para ressignificar as manifestações da existência
A partir de 04 de setembro, a comunidade e turistas estão convidados para conhecer a mais nova exposição que a Fundação Casa das Artes vai sediar. “Das Artérias ao Mangue”, de Jaque Pauletti, vai desacomodar os olhares daqueles que esperam ver uma produção parecida com a estética apresentada pela artista em suas últimas exposições há alguns anos, direcionada ao universo infantil. Os desafios da vida e a relação com o próprio corpo e sua saúde ressignificam o lugar da arte, que se torna um campo fértil para manifestar, de forma metafórica, a própria existência.
Nessa ressignificação, das imagens internas do corpo da artista, ao mangue que se apresenta aos olhos diariamente, na paisagem bucólica da praia onde vive hoje, em Santa Catarina, apontaram o caminho reflexivo trilhado aqui, na multiplicidade dessa artista caxiense, que tem sua trajetória marcada desde a publicidade, sendo professora, escritora, designer de objetos.
A curadora da exposição Silvana Boone, professora da UCS, comenta os aspectos que compõem a tessitura semântica.
“O mangue, que é um ecossistema habitado por plantas que se adaptam em ambientes salinos, possui raízes aéreas, e é um mecanismo que remove o excesso de sal das suas folhas, como um ato de resistência à natureza em que ele está inserido. As artérias são os vasos que transportam o sangue oxigenado do coração para o resto do corpo. Metaforicamente, Jaque vem fazendo uma transfusão dos fluídos que circulam nas suas artérias para o mangue que se apresenta a ela diariamente, através da paisagem, paisagem essa – entre a montanha e o mar – que foi uma escolha para seguir caminhando… apesar das pedras”, evidencia Silvana sobre o processo criativo.
Apresentando um conjunto de obras em pintura sobre tela, assemblagens, objetos têxteis construídos a partir de materiais reciclados, de diferentes procedências, Jaque deverá transformar os espaço do terceiro andar da Casa das Artes em uma grande instalação que, de certa forma, manifesta uma trilha caótica, tal como é a vida.
A artista se readapta constantemente e, removendo os excessos, extrai da arte – suas raízes – os elementos que a mantém criativa e viva. Assim, Jaque Pauletti nos entrega signos da vida: “Ao reunir esses fragmentos de outras vidas, proponho uma costura simbólica entre o corpo, o tempo e a regeneração. Como quem se refaz com o que tem. Como quem escolhe, em vez de descartar, amar de novo”.
A curadora reafirma a relevância da escolha simbólica para criar um universo próprio sensível.
“Transformando a realidade em linhas emaranhadas condutoras de significados, assim são as artérias que levam o sangue pelo corpo. Também foi através das próprias artérias que a artista recebeu doses de vida advindas das diferentes substâncias que ajudaram a se reconstruir e que hoje, parecem se materializar nas tramas caóticas que produz. No caos surge o sentido de perceber que a condição humana de viver extrapola toda e qualquer regra”.
O Secretário de Cultura Evandro Soares salienta as possibilidades de leituras de “Das Artérias ao Mangue”
“Jaque Pauletti tem como matéria o orgânico, o que conduz a vida biológica. Das metáforas, depreende-se um panorama pleno de ressignificações, de alteridade e de beleza. Estamos muito felizes de proporcionar ao público uma experiência aberta e transcendente”.
Serviço
O que: “Das Artérias ao Mangue”, de Jaque Pauletti e curadoria de Silvana Boone
Abertura: 04 de setembro, 19h, seguido de bate-papo com a artista visual e curadora
Período de visitação: até 29 de setembro
Horário: 8h às 21h
Onde: Fundação Casa das Artes – Rua Herny Hugo Dreher, 127, bairro Planalto
Crédito das fotos: Gabriel Sebem
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