Elevação de óbitos por coronavírus intriga comunidade em Bento

O avanço de óbitos no mês de julho por coronavírus tem intrigado a comunidade em geral e aqueles que ao observarem os dados, sugerem um descontrole em Bento Gonçalves. Em 24 dias, foram 30 falecimentos por Covid-19, de acordo com os boletins epidemiológicos do Comitê de Atenção ao Coronavírus. São índices que colaboraram para um crescimento na estatística e que até sexta-feira, 24 de julho, culmina com 61 óbitos por complicações da doença.

O prefeito Guilherme Pasin lamenta e se solidariza com as famílias que perderam seus entes queridos neste período de pandemia.

“Foi traçado um perfil e são pacientes em sua maioria com idade avançada e com doenças associadas. É algo bastante complexo”, comentou.

Conforme a Rádio Difusora já antecipou em reportagens especiais sobre o tema, em busca de respostas, existe um documento denominado “Orientações para o preenchimento da Declaração de Óbito no contexto da Covid-19”, com a finalidade de orientar os profissionais médicos nas declarações de falecimentos.

Nele consta que a Covid-19 deve ser registrada no atestado médico de causa de morte para todos os óbitos que a doença causou, se assume ter causado ou contribuído para a morte.

Pasin diz que “o protocolo do Ministério da Saúde que trata de epidemia praticamente passa a enaltecer toda a situação e adota causas associadas. As pessoas falecem disso e também com coronavírus o que eleva os números”, completou.

As diversas manifestações ao trabalho do Hospital Tacchini chegaram nas redes sociais em virtude dos crescentes falecimentos e têm chamado a atenção. A reportagem tenta desde esta semana junto a Assessoria de Imprensa da Casa de Saúde uma entrevista com dirigentes da instituição para comentar a pauta e até agora não houve êxito.

O prefeito destacou que “todo o questionamento é importante, o problema é quando vira acusação sem fundamento e conhecer protocolos. O Hospital faz um trabalho de muita responsabilidade”, salienta.

A Secretaria Municipal de Saúde que pediu a revisão de dois falecimentos até o mês de junho para o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) do Rio Grande do Sul – sendo um deles deferido (relembre nesta reportagem AQUI) -, está solicitando um novo pedido onde questiona a morte de uma mulher que aconteceu nos últimos dias e entrou na estatística de óbitos por Covid-19.

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“As pessoas cansaram”, diz Pasin, sobre o Modelo de Distanciamento Controlado

Tem se cogitado através de reuniões virtuais de Associações que representam as Prefeituras, como a Amesne (Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste) e a própria Famurs (Federação das Associações dos Municípios do RS) alterações do Modelo de Distanciamento Controlado.

Os prefeitos em geral alegam os prejuízos econômicos com o “abre e fecha”, defendem a saúde, mas que os segmentos que adotaram medidas responsáveis possam seguir operando.

Nesta sexta, por exemplo, comerciantes, proprietários de escolinhas particulares, de categorias como entretenimento, restaurantes, construção civil, entre outros, realizaram uma manifestação pelas ruas de Bento Gonçalves solicitando a possibilidade de funcionamento sem interrupções de seus negócios.

Guilherme Pasin referiu que o “Modelo foi importante e deu tempo para os municípios e sociedade se organizarem. Mas, agora precisamos compreender que chegou o momento de avançar. As pessoas cansaram e os empreendimentos chegaram no seu limite”, reconheceu.

Ele ainda comentou da necessidade de a população colaborar no enfrentamento da pandemia e que existe um receio de perder o engajamento em virtude desta situação.

“A obediência é o ponto principal e se perdermos as pessoas estaremos perdendo todo o jogo”, salientou.

Bento Gonçalves continua na Bandeira Vermelha no Modelo de Distanciamento Controlado.

 

Fonte: Felipe Machado – Central de Jornalismo da Difusora