Primeira atividade foi a palestra “Desafios encontrados pelos profissionais de assistência”, com a fisioterapeuta neuropediatra Suelen Hass
Nesta segunda-feira (31), ocorreu na Fundação Casa das Artes, em Bento Gonçalves, a abertura do Mês de conscientização sobre o Autismo. A programação traz capacitações e palestras que contemplam profissionais da saúde como médicos, enfermeiros, dentistas, da Atenção Básica, assim como, de Educação, professores, monitores e auxiliares. Ao longo dos trabalhos, vão ser abordados temas que visam o acolhimento e a qualificação do atendimento da comunidade autista, especialmente na questão do manejo e como agir quando uma crise se manifesta e formas de evitar.
A primeira atividade foi a palestra “Desafios encontrados pelos profissionais da assistência”, com a fisioterapeuta neuropediatra Suelen Haas, e é uma parceria da Secretaria de Saúde por meio do Núcleo Municipal de Educação em Saúde Coletiva (NUMESC) e Hospital Tacchini.
Na ocasião, estiveram presentes a Primeira-dama, Cláudia Remus, representando a Secretaria de Saúde, a psicóloga Karina Paggi, e a coordenadora do NUMESC, Michele Fracalossi.
Michele Fracalossi ressalta que é preciso ter uma rede de saúde capacitada para melhor atender as especificidades da comunidade autista. “Muitos de nossos autistas vão para a sua unidade de referência, no seu território. A gente precisa especializar todos os nossos profissionais da rede para lidar com a situação. O NUMESC tem uma educação permanente para a saúde. Os cuidados com a área estão em constante evolução: novas pesquisas, novos movimentos. E temos meios de atualizar e ter esse cuidado e atenção para esse público. A palestra vai ao encontro das vivências necessárias para termos uma equipe qualificada”.
Karina Paggi falou sobre como fazer a verdadeira inclusão, por meio de duas formas: objetiva e subjetiva, pois é imperativo ter uma aprendizagem empática para melhor atender e entender o autismo. “A primeira é objetiva: é ter recursos para implementar políticas de saúde: públicas, da iniciativa privada ou em parcerias, para que realmente tenhamos condições para abarcar esse quadro que vem crescendo no mundo inteiro. A outra é subjetiva: é o abrir-se para essa nova realidade de pessoas que pensam diferente, que faz parte da diversidade humana. Isso faz parte de um processo social, civilizatório, humanizado, é muito mais fácil para desenvolver a empatia e a solidariedade”.
Cláudia Remus salientou sobre como é necessário ter continuidade nas ações e atividades, além de evocar a sua experiência como professora. “As demandas da comunidade autista estão crescendo, em todas as áreas. No entanto, o que está na ponta ainda é a Saúde e a Educação, por isso que a nossa rede precisa estar capacitada. Como professora, eu também enfrento desafios com as crianças autistas. Aos pouquinhos, encontra-se o jeito certo de agir. É preciso fazer entender que essas crianças estão passando por um processo e precisamos estar preparados”.
“Desafios encontrados pelos profissionais da assistência”
Suelen Hass trabalha com crianças com TEA há quatro anos. Durante a explanação, abordou definições sobre o que é o Transtorno do Espectro Autista, história do termo, causas, níveis de suporte, diagnóstico, medicações, a necessidade ter uma equipe multiprofissional com fonoaudióloga, psicólogos, terapeutas ocupacionais, além de falar de como receber o paciente com TEA, o que fazer diante de uma crise e quais os recursos para auxiliar a regular o sensorial, a alteração de equilíbrio.
Em sua vivência de trabalho, Suelen relata sobre como é preciso saber como TEA se manifesta nas diferentes fases da vida. “Os sintomas aparecem na primeira infância, mas muitos adultos têm sido diagnosticados de forma tardia. Eles trazem o que as crianças não conseguem falar para nós: como a alteração sensorial incomoda, está extremamente desestruturada. Por exemplo, como pisar no chão é dolorido, do estímulo profundo, do toque. É preciso parar e pensar: como esses adultos passaram uma infância inteira tentando se regular, se organizar, para conseguir falar sobre”.
Em relação aos desafios de como atender, Suelen alerta que não é todo profissional que consegue trabalhar com TEA. Porém, quando se aceita, é criado um laço de muito aprendizado e sentimento genuíno. “Porque é preciso ser muito humano com TEA. Tudo bem se o resultado não foi bom naquele dia, mas no outro dia ser legal. A troca com as crianças não tem preço. É preciso dar o máximo de si e dar o seu coração para essa criança”, enfatiza.
A programação do Mês do Autismo é realizada pelo Gabinete da Primeira-dama e conta com o apoio das Secretarias de Saúde, de Educação, de Esportes e Desenvolvimento Social, de Cultura, da EMEFE Caminhos do Aprender e das Associações Voz Azul e Pró-Autista Conquistar.
Programação
01/04 – Formação “Crises: manejo e formas de evitar”, com a pedagoga Ana Rosemeri Araujo da Cunha – Horário: 18h30 – Local: Fundação Casa das Artes
02/04 – Formação “Crises: manejo e formas de evitar”, com a psicopedagoga Cláudia Zirbes – Horário: 18h30 – Local: Fundação Casa das Artes
03/04 – Cuidando do cuidador: oficinas de beleza, massagem, psicóloga – Horário: 14h e 19h– Local: Fundação Casa das Artes
04/04 – Capacitação para dentistas da Rede Municipal de Saúde sobre TEA – Horário: a definir – Local: a definir
05/04 – Formação “Crises: manejo e formas de evitar” – Horário: 8h – Local: CTG Laço Velho
08/04 – Uma tarde de aventuras – Horário: 14h30 – Local: Parque Gasper
26/04 – Oficina de culinária – Horário: 9h30 – Local: Senac
Maio – data a definir – Uma tarde de aventuras II (Trilha na mata, passeio de tuc-tuc, caça aos doces, piquenique) – Horário: a definir – Local: Associação Anjos Unidos
Fonte e fotos: Assessoria de Comunicação Social – Prefeitura
PG
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