Produtores de uva recebem declarações de implantação de Boas Práticas Agrícolas

Cento e vinte e nove produtores de uva da Serra Gaúcha estão recebendo desde o início do último mês a declaração de implantação do módulo Boas Práticas Agrícolas. A capacitação integra o Programa Alimentos Seguros (PAS) – Uva para Processamento, iniciativa do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Embrapa Uva e Vinho, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/RS).

Os eventos de entrega das declarações estão sendo realizados pelas vinícolas que aderiram ao programa e que foram responsáveis pela mobilização e organização das turmas de produtores que fornecem a matéria-prima. A Cooperativa Garibaldi e a Casa Perini fizeram a entrega no início de outubro e novembro, respectivamente. Nos próximos dias 10 e 18 estão previstas as entregas dos documentos aos produtores que fornecem uva para a Cooperativa Agroindustrial Pradense (Cooprado) e para a Vinícola Mioranza. Ainda neste mês deverão ser contempladas as turmas de viticultores organizadas pelas vinícolas Casa Valduga, Famiglia Tasca, Golden Sucos e Tecnovin, além de grupos de produtores mobilizados pelo projeto Juntos para Competir, desenvolvido pela Federação da Agricultura do Rio Grande Sul (Farsul), em parceria com o Sebrae e Senar/RS.

A gestora do PAS Uva para Processamento, Janine Basso Lisboa, considera positivo o índice de produtores que conseguiram implantar todos os requisitos do programa. “Dos 170 participantes que iniciaram, em agosto de 2015, quase 80% estão recebendo as declarações de implantação. Em auditoria final do programa, realizada individualmente em cada produtor rural, foi possível verificar que as práticas para garantir a segurança do próprio produtor, a qualidade da matéria-prima e o cumprimento da legislação foram implantadas”, explica. Janine acrescenta que, após o cumprimento de todas as etapas, também há um ganho na organização da propriedade, facilitando a rastreabilidade da produção.

A lista de itens que devem ser cumpridos inclui um manual com os procedimentos adotados na propriedade, instruções de trabalho e o aprimoramento do caderno de campo com informações sobre o uso de produtos químicos. O produtor também deve adequar a estrutura física, em especial quanto ao acondicionamento de agrotóxicos, estruturar o croqui da propriedade e a identificação e localização do vinhedo. “O maior desafio a ser superado é a mudança cultural que é exigida, com uma maior organização do produtor e a adequação a práticas agrícolas que, muitas vezes, requerem investimentos”, diz a gestora do PAS.

Janine informa que para receber a declaração é necessário cumprir uma lista de requisitos avaliados no início e ao final do programa. Neste ano, mais 200 produtores estão sendo assistidos pelo programa, renovado por meio de cooperação técnica entre o Ibravin e o Senar/RS, assinado no início de setembro.

Para o pesquisador e chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, Alexandre Hoffmann, a certificação dos agricultores fecha um ciclo importante para a qualificação dos produtos vitivinícolas. A Embrapa Uva e Vinho, juntamente com a equipe técnica do PAS, coordenou a elaboração do Manual Técnico de Boas Práticas Uva para Processamento, utilizado pelos consultores do programa. Hoffmann, um dos editores desse Manual, explica que a pesquisa e a tecnologia desenvolvidas pela Embrapa estão chegando aos produtores e trazendo benefícios de forma imediata. “O principal ganho é a organização do processo de produção pelas vinícolas e pelos viticultores, que passam a dar um salto quanto à qualidade da matéria-prima e dos produtos. O PAS traz benefícios para toda a cadeia produtiva por garantir que as boas práticas estão sendo adotadas, com a utilização do que se tem de mais moderno e seguro”, acredita.

Fonte: Ibravin