No Expovinis, setor reitera gargalo da indústria vinícola como a tributação

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Um dos debates da cadeia do vinho que foi reforçado durante o Expovinis 2017, em São Paulo, é a alta tributação do setor. Para se ter uma ideia, mais da metade do valor de uma garrada de vinho é imposto (estima-se 60%).

O 2º vice-presidente do Sindivinho-RS (Sindicato da Indústria do Vinho, do Mosto de Uva, dos Vinagres e Beb. Derivados da Uva e do Vinho do Est. do Rio Grande do Sul), José Venturini, entende que “não tem mais como suportar tanto imposto. O gargalo da indústria é a tributação. A conta sobra sempre para quem consome”, destacou.

A participação dos rótulos importados no mercado brasileiro de vinhos finos (incluindo vinhos tranquilos e espumantes), que no primeiro trimestre de 2016 era de 73,1%, chegou a 84,6% neste ano.

Para o produtor chileno, Sérgio Reyer, um dos expositores do Expovinis, o objetivo é continuar ganhando espaço no Brasil. Com facilidades de ingresso no mercado nacional, houve uma alta de 25% somente em 2016 em termos de comercialização em solo verde amarelo. “Queremos manter os mesmos níveis de crescimento”, afirma o diretor da Fox Wines, de Santiago.

Para o representante comercial que trabalha com diversos rótulos estrangeiros no Brasil, Ricardo D´Ávila Pereira, da Vidigal Wines, “as pessoas do vinho no Brasil acordaram para ver que o vinho é democrático. Tem mercado para todos e o segredo é fazer um trabalho ético e correto”, defendeu.

O gerente de promoção e marketing do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), Diego Bertolini, salienta que “além do aumento de impostos, tem desafios de mercado de conseguir colocar este produto de uma forma que dê lucratividade para a indústria”, afirmou.

Uma das apostas é o segundo semestre, já com a chegada do inverno. “Em abril já se percebeu uma retomada dos negócios e começou a alavancar as vendas. Apesar da instabilidade na política, para o setor do vinho será um ano bom. O inverno sem dúvida é o nosso maior vendedor de vinhos”, acrescentou Venturini, do Sindivinho.

O dirigente do Ibravin acredita que o “segundo semestre haverá um desempenho melhor com um desenvolvimento maior. Não podemos ficar dentro das vinícolas chorando, temos que ir para o mercado e gastar a nossa maior verba de marketing, a sola de sapato”, disse ainda.

Ibravin busca redução da carga tributária

O Ibravin vem trabalhando junto ao Governo Federal e aos governos estaduais para a redução da tributação de vinhos. Em 2016, o setor conquistou a inclusão das micro e pequenas vinícolas no Simples Nacional. A medida passa a vigorar a partir de 2018. O trabalho junto aos estados é focado na diminuição da Margem de Valor Agregado (MVA) que compõe as alíquotas de ICMS, além da suspensão da ST.

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Fonte: Felipe Machado – de São Paulo