Maioria das empresas familiares da região de Veranópolis não prepara a sucessão de dirigentes

Pesquisa do Campus Veranópolis do IFRS buscou compreender como esses empreendimentos estão conduzindo o processo de sucessão. Confira os resultados.

As empresas familiares têm grande importância econômica e social para os municípios de Veranópolis e microrregião. A cultura italiana dos descendentes de imigrantes estimula o trabalho em família e reflete nos valores e nas práticas organizacionais. A pesquisa “Empreendedorismo Sênior e Sucessão do Negócio Familiar”, do Campus Veranópolis do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), revelou que a maioria dessas empresas familiares está em sua primeira geração (o gestor máximo é o fundador do empreendimento) e não prepara a sucessão dos dirigentes. Pouquíssimas têm planejamento formal, estruturado e claro referente ao futuro da gestão.

O estudo foi conduzido por servidores e um estudante do Campus Veranópolis do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e apresentada em evento aberto ao público na quarta-feira, 8 de maio de 2019, na Associação Comercial e Industrial de Veranópolis (Aciv).

Participaram do trabalho 30 indústrias familiares de pequeno, médio ou grande porte da região, e foram também realizadas entrevistas com representantes de órgãos municipais, entidades empresariais e especialistas no tema. As empresas são do setor da indústria de transformação com mais de dez anos de atuação e sede nos municípios de Veranópolis, Vila Flores, Fagundes Varela, Nova Prata e Cotiporã.

A coordenadora do projeto, professora Daniele dos Santos Fontoura, salienta que, a partir dos resultados, será possível contribuir para a sustentabilidade e o crescimento das empresas familiares locais por meio do desenvolvimento de ações de ensino e de extensão.

“Apesar das dificuldades, finalizamos o projeto extremamente orgulhosos dos resultados. Por meio da pesquisa e, agora, do retorno atencioso que daremos a cada um dos participantes, acreditamos que estamos contribuindo para auxiliar as empresas familiares a pensar sobre seu futuro e, também, para estreitar os laços do Campus Veranópolis com a sua comunidade”, observa.

O projeto é de autoria dos professores Daniele dos Santos Fontoura, Leandro Rosa Käfer, Gabriela Mara Pedrotti, da servidora Karoline Milioni e do acadêmico bolsista Marcelo Gabrielli.

 Confira alguns resultados do estudo:

– Nas 30 empresas pesquisadas, 60% dos empresários disseram não possuir planejamento para a sucessão da empresa.

– Em relação ao tipo de planejamento para sucessão, das 12 (40% do total pesquisado) que afirmaram ter planejamento, 10 afirmaram que o planejamento é consciente, mas informal. Apenas 2 empresas afirmaram utilizar um planejamento formal e estruturado, com normas e regras claras para todos que atuam na empresa.

– Das 12 empresas que planejam a sucessão, 11 afirmam que a sucessão deverá ser familiar e apenas 1 que a sucessão será profissional.

– Nas empresas que estão se preparando para a futura sucessão, são desenvolvidas ações como: a) inclusão dos filhos e/ou familiares na empresa; b) formação em cursos relacionados à gestão ou ao negócio da empresa; c) desenvolvimento de experiência prática/vivência em todos os setores da empresa; e d) participação no processo decisório da empresa.

>> Perfil dos empreendedores respondentes:

– Destaca-se que 67% dos respondentes são os fundadores do empreendimento familiar, ou seja, a empresa está na sua primeira geração.

– A maior parte dos empreendedores (43%) tem entre 46 e 60 anos de idade; 33% têm até 45 anos e 23% possuem acima de 60 anos.

– Quanto ao nível de formação, 47% dos entrevistados estudaram no máximo até o ensino médio e os demais 53% cursaram algum estágio de nível superior.

>> Perfil das empresas pesquisadas:

– Quanto ao porte, cerca 67% estão enquadradas como de pequeno porte e o restante (33%) figura como de médio ou grande porte.

– A maior parte das empresas concentra-se na faixa de 16 a 30 anos de atuação (63,3% dos respondentes) e essas são responsáveis por empregar 770 funcionários diretos. Ainda assim, parcela semelhante de trabalhadores (769) é mantida pelas poucas empresas (16,7%) que já superaram os 40 anos de atividade. Ao todo, as empresas pesquisadas representam mais de 1.700 postos de trabalho na região.

Fonte: IFRS – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul –