“Fiquem em casa!”: pedem médicos de Bento, após debate sobre isolamento social

Os últimos dias do mês de março e começo de abril representarão a continuidade do debate público sobre isolar ou não as pessoas em razão do coronavírus (Covid-19). Desde o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em rádio e TV na noite de 24 de março, quando afirmou que as autoridades deveriam evitar proibições como fechamento de estabelecimentos e confinamento em massa, contrariando a própria Organização Mundial da Saúde (OMS), diversas tem sido as manifestações.

Antes, é importante salientar que o isolamento horizontal está sendo aplicado em nível mundial com restrições de circulação de pessoas e manutenção da população em suas casas, enquanto que, o isolamento vertical, propõe a separação apenas daqueles que têm risco de evoluírem para casos graves ou óbitos, como idosos e pessoas com doenças crônicas.

O ex-ministro do governo Bolsonaro, médico e deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) em entrevista concedida à Rádio Jovem Pan, disse que o “vírus se transmite com muita rapidez, numa velocidade alta. É uma curva que deve durar 12 semanas”, admitiu.

Chamou a atenção sua manifestação porque foi um dos poucos da área da saúde que mostrou-se contrário a quarentena (era utilizado para se referir ao tempo de 40 dias, hoje, se refere ao tempo que as pessoas devem permanecer em casa durante algum surto de vírus, que neste caso é de 7 a 14 dias).

“A quarentena não diminui casos. Na Itália criou-se uma quarentena rigorosa e o que aconteceu foi que as pessoas se contaminaram dentro de casa. Todos nós temos capacidade de imunização e anticorpos para centenas de vírus. Quem tem mais imunidade responde melhor”, acrescentou Terra.

O deputado que atuou fortemente há mais de dez anos no combate a Gripe A (H1N1), entende que as pessoas “tem que tomar os cuidados necessários, mas levar a vida normal. O restaurante, o comércio, podem funcionar, não precisam parar. Claro, a mesa tem que ser higienizada, com o reforço do álcool gel”, disse ainda.

Em Bento Gonçalves continua em vigor um Decreto que expira no dia 5 de abril, com fechamento dos setores da economia, sem aglomeração de pessoas, bem como se mantém a recomendação para que a população permaneça em suas residências. Entende-se publicamente que a próxima semana poderá ser o pico da epidemia. Até sexta-feira, 27, haviam oito casos confirmados de coronavírus no município.

O médico do Corpo Clínico do Hospital Tacchini e especialista em Doenças Circulatórias Cardiovascular, Marcel Pisani, convidado a opinar sobre o assunto elogiou as medidas tomadas na Capital do Vinho.

“Tenho certeza que houve uma antecipação correta dos nossos órgãos competentes e principalmente da sociedade civil organizada”, comentou.

Questionado sobre o posicionamento do deputado Osmar Terra, Pisani afirma a necessidade de uma reflexão.

“Seu ponto de vista é baseado em outras pandemias e é claro que suas declarações vão ao contrário da maioria dos outros especialistas. Mas, pela sua experiência e bagagem não se pode jogar fora a opinião. Ele subestima um pouco os números e não vê vantagem no isolamento”, comentou.

Como especialista cardiovascular, recordou os possíveis prejuízos para saúde das pessoas confinadas. “Pode trazer consequências físicas, emocionais. Há pessoas que já tem depressão, que possuem tendências a doenças, como síndromes do pânico, alcoolismo, além de poder resultar em agressões domésticas, até feminicídios e tentativas de suicídio. A pessoa em casa deve se exercitar, se hidratar, reforçar sua imunidade”, disse ainda o médico.

Marcel, por outro lado, lembra do perigo do vírus com a chance de contato rapidamente. Orienta as pessoas com sintomas de tosse, espirros frequentes, coriza, febre, a entrarem em isolamento e utilizarem máscaras para não contaminarem os próximos, além de procurar apoio nos órgãos de saúde caso haja tosse persistente, febre alta e falta de ar.

No começo da noite desta sexta a classe médica de Bento divulgou um vídeo com a participação de vários profissionais do segmento solicitando o que a comunidade já sabem, ou seja, ficar em suas casas.

CLASSE EMPRESARIAL DEFENDE RETOMADA

O CIC (Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves) emitiu um comunicado nesta sexta-feira que reforçou a retomada das atividades na indústria, comércio e serviços. “Ao invés do dia 6, que seria uma condição, a gente propõe dia 1º. Da mesma forma que foi o início da paralisação, queremos voltar gradativamente”, afirmou em entrevista para Difusora 890, o presidente Rogério Capoani.

Ele ainda mencionou a “urgência da antecipação. Estamos recebendo diversos comunicados de empresas sólidas, grandes, com demissões acentuadas. A falta de emprego é o pior problema que a gente pode ter”, acrescentou.

A entidade, com apoio de outras (relembre AQUI) propõe a o isolamento vertical (somente para idosos e pessoas em risco).

O prefeito Guilherme Pasin chegou a se posicionar na sua página pessoal do Facebook da necessidade do debate responsável com o foco na preservação da saúde. “É necessário debatermos com ponderação científica, dados da saúde e precaução”. Afirmou ainda que “desde 30 de janeiro não agimos por impulso ou de forma precipitada”, finalizou.

Em grupos de aplicativos de mensagens, redes sociais e recados enviados para a Rádio Difusora as opiniões ainda divergem.

 

Fonte: Felipe Machado – Central de Jornalismo da Difusora