Entenda a estrutura de apoio para a operação de busca e resgate na SSP

Desde o início dos trabalhos de combate ao incêndio na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), com o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), o Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS) organizou estrutura operacional completa para viabilizar o trabalho ininterrupto de combate ao fogo e resfriamento da área.

Tão logo se verificou a ausência de dois bombeiros militares que atuavam na ação, também foi mobilizada toda a capacidade de busca e resgate aos desaparecidos. Confira abaixo como está organizado o terreno no pátio da SSP, para alocar todo o efetivo e equipamentos necessários à operação de resgate do 1° tenente Deroci de Almeida da Costa e do 2° sargento Lúcio Ubirajara de Freitas Munhós.

Vigilância

Em todas as entradas do complexo da SSP, há um forte esquema de segurança com vigilantes da empresa privada que já fazia o controle dos acessos. Os vigilantes permanecem nos locais 24 horas, conferindo a identificação de cada uma das pessoas que ingressam no terreno apenas mediante a autorização do comando de operações. A segurança de toda a área também conta com o apoio de efetivos da Brigada Militar e de agentes do Departamento de Inteligência da Segurança Pública (Disp) da SSP, bem como de servidores das divisões de inteligência das demais vinculadas.

Posto de Comando de Operações (1)

Localizado no centro do terreno, bem de frente para o meio do prédio da SSP, em uma área com alcance visual para toda a área da ocorrência, está instalada uma estrutura de lona do CBMRS onde fica o Posto do Comando de Operações. Nesta base, o tenente-coronel Eduardo Estevam Rodrigues, comandante do 1° Batalhão de Bombeiro Militar em Porto Alegre e da operação na sede da SSP, emite todas as orientações aos oficiais e define o trabalho das equipes de serviço.

Por rádio, a equipe de apoio do comando de operações se comunica com todo efetivo empregado, desde os que atuam na área afetada até o monitoramento da portaria, estacionamento de viaturas e controle do revezamento de equipes a cada turno. Para acompanhar a presença de cada uma das pessoas no terreno, há um quadro que é atualizado a cada nova chegada.

Os líderes de cada equipe precisam informar o nome de cada membro, inclusive os binômios (dupla homem e cão) na entrada e na saída de cada turno. Dessa forma, o comando consegue otimizar as equipes e ter controle de todos os servidores e recursos empregados, como viaturas e maquinário, que circulam na cena.

Posto de planejamento (2)

Ao lado do Posto de Comando de Operações, há uma outra estrutura semelhante de lona com uma grande mesa de reuniões e um quadro de avisos, que serve como apoio para eventuais necessidades de análises de documentação e outros documentos relacionados ao trabalho de busca e resgate. É também um ponto de parada para encontros rápidos que são realizados a todo momento para encaminhar decisões no terreno.

Área de espera e estacionamento (3)

A área de espera melhora a segurança dos envolvidos e otimiza o emprego de recursos, facilitando a entrada oportuna e controlada de pessoas no terreno da SSP, proporcionando um local de chegada de pessoal e estacionamento de veículos, equipamentos e ferramentas. O local tem rotas diferentes de entrada e saída e acomoda os recursos disponíveis, podendo expandir-se caso o incidente necessite. É nela também que foram instalados quatro banheiros químicos. Os militares também têm à disposição os banheiros do prédio do futuro Centro Regional de Excelência em Perícias Criminais (Crepec), que fica no terreno ao lado da rodoviária da Capital.

Área de impacto (4)

O prédio que incendiou e teve desabamento parcial pelo colapso da estrutura é a área de impacto, onde há risco de novos focos de incêndio ou de novos desabamentos. Nesse espaço se desenvolve o trabalho de buscas, onde a ação primária das equipes é a remoção de escombros com ferramentas leves e auxílio de maquinário pesado, próprio para a atividade. Também é empregado equipamento de captação de sons, além da técnica de chamada e escuta, que consiste em, num ambiente de silêncio, chamar pelas vítimas aguardando uma resposta qualquer que seja. Outra ação é a busca com cães, em um perímetro delimitado de segurança. Nesse trabalho, os binômios (dupla homem e cão) são utilizados com a finalidade de identificar, dentro da especificidade de treinamento de cada cão, sinais como sons e cheiros que possam apontar a localização de vítimas. Foram abertos dois acessos ao prédio, um pela lateral na entrada da Ala Sul, e outro na parede frontal da fachada do anexo, logo em frente à edificação, onde funcionava o Departamento de Comando e Controle Integrado (DCCI).

Área de atendimento (5)

Caso algum servidor envolvido na operação necessite de atendimento psicológico ou médico estão à disposição as ambulâncias de resgate do CBMRS e uma estrutura da Cruz Vermelha. Na barraca, há disponibilização de água, máscaras de proteção contra a Covid-19, luvas e materiais de primeiro socorro. A instalação tem presença 24 horas, com revezamento de turnos por 12 profissionais, sendo cinco psicólogos, três agentes de logística, três agentes de gestão de risco e uma estudante de Psicologia.

Desde a quinta-feira, dia seguinte ao incêndio, a equipe já realizou 21 atendimentos que vão desde a escuta aos militares que atuam nas buscas como também acolhimento aos familiares das vítimas. As seções têm o objetivo de ajudar os servidores e parentes dos desaparecidos a lidar com o conflito de emoções e sentimentos, a angústia pelo tempo de espera, o cansaço pelo trabalho ininterrupto e questões relacionadas ao fato que mais impactam cada um dos atendidos.

Outra orientação importante é quanto a busca por informações, para direcionar a atenção aos canais oficiais, de forma a evitar notícias conflitantes e boatos que aumentem a ansiedade.

Alojamento (6)

Este local se destina a descanso dos efetivos empregados. A estrutura montada pelo CBMRS dentro dos galpões que ficam na entrada do terreno contém alojamentos com cerca de 20 beliches para repouso e consequente revezamento das equipes envolvidas. O local fechado abriga as equipes do frio e de eventual chuva.

Refeitório (7)

A tenda fica ao lado do alojamento, com mesas e cadeiras para as refeições. A alimentação, em um primeiro momento, foi viabilizada mediante processo de dispensa de licitação e, após, em uma contratação emergencial pelo CBMRS. O Exército Brasileiro, a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), a comunidade e associações de classe, por iniciativa própria e voluntária, também alcançaram gêneros em complemento aos adquiridos. A cada almoço e jantar são servidos mais de cem refeições quentes completas, que incluem proteína, carboidratos e saladas. Além disso, estão permanentemente à disposição lanches com café, água, suco, leite, frutas, bolachas e sanduíches.

Este setor é fundamental para a recuperação e manutenção dos servidores em condição adequada de atuação. Colabora ainda para a manutenção do bem-estar do efetivo e incrementa a segurança das ações ao eliminar preocupações com necessidades básicas da rotina diária, permitindo aos militares focarem toda a atenção e concentração no trabalho de buscas.

Equipes da Defesa Civil e de engenharia (8)

A operação conta ainda com a estrutura da Defesa Civil Estadual, ao lado do Posto de Comando de Operações, para abrigar os servidores da instituição, da Defesa Civil Municipal e o grupo de engenheiros que estão apoiando na análise das estruturas do prédio.

A tenda é utilizada para reuniões e para a avaliação dos materiais recolhidos pelos profissionais, bem como para o assessoramento sobre a abordagem ao prédio e necessidade de escoramentos e utilização de maquinário pesado, de forma a evitar novos desabamentos parciais de partes da construção que ficaram em suspenso na estrutura colapsada.

Núcleo de coordenação operacional (9)

É o posto onde as equipes de trabalho se preparam para ingressar na área de impacto, conferindo o efetivo de cada frente de ação dentro da estrutura colapsada do prédio, os equipamentos e ferramentas necessários e a definição das tarefas de cada militar.

Texto: SD Kelly Motter
Edição: Carlos Ismael Moreira/SSP