“Economia é saúde”, diz presidente do CIC-BG em live sobre retomada econômica

Em live promovida pelo Instituto Alta Política na noite de segunda-feira (18), o presidente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC-BG), Rogério Capoani, destacou a postura do empresariado da Serra e as ações desenvolvidas por entidades para amenizar as perdas com a crise. O presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo, também participou do encontro virtual.

Capoani disse que a crise trouxe “efeitos devastadores”, citando as cerca de 2,6 mil demissões ocorridas em Bento Gonçalves e o fechamento de cerca de 30 empresas. Mas ressaltou que, após se adequar às medidas emergenciais para aceitar o fechamento dos negócios, logo o empreendedorismo dos empresários veio à tona na forma de vencer os desafios impostos pelo coronavírus. “Num primeiro momento, a ideia é que os negócios tenham sobrevida, depois o pensamento é de aproveitar as possíveis oportunidades para crescer a longo prazo”, disse o dirigente.

O empresário reconhece que os desafios da crise são constantes, mas preferiu mirar no futuro. “O mais importante é o processo atual concreto de retomada”, salientou. Capoani reforçou a união ocorrida na cidade por meio do Unidos por Bento, movimento liderado pelo CIC-BG que arrecadou quase R$ 700 mil para a construção de 40 leitos emergenciais e para a aquisição de testes da covid-19 e de EPI’s. “Nesta segunda-feira tivemos 14 casos novos e 40 casos curados, é mais curados para menos positivados, é um grande feito e estamos muito satisfeitos de ajudar a aparelhar o município”, contou.

Capoani exemplificou a retomada a partir do setor moveleiro, que foi obrigado a enxugar o quadro de funcionários e investiu no e-commerce. Alguns já estão pensando em ofertar um turismo industrial e criando um museu com maquinário antigo. “É algo fabuloso. Nós estimulamos a busca por novas práticas, inovação, uso de tecnologia, são formas que podem ajudar. Nós sabemos que o consumo mudou muito, o perfil online é importante também para o comércio e nós precisamos renovar algumas práticas. Nas feiras, também estamos pensando formas de otimizá-las oferecendo já um recurso para o expositor ter um canal online como mais um recurso de venda. São coisas que só uma crise oportuniza para pensarmos diferentes, sair de um contexto que estamos acostumados”, analisou Capoani.

União e diálogo

Ações assim, iniciadas ainda no começo da crise – o movimento surgiu no dia 15 de março –, foram fundamentais para absorver melhor a recessão que se impôs. Assim como ocorreram iniciativas na área social, da mesma forma se sucedeu no setor econômico. O CIC-BG, além de liderar um processo de reabertura gradual dos setores produtivos na cidade, faz parte do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico do RS, liderado pela Assembleia Legislativa. São quase 30 setores produtivos envolvidos, representados por associações, federações e entidades, em francos diálogos com o setor público, constituído por deputados e representantes do governo, na busca de soluções para amenizar as perdas. Segunda-feira, no nono encontro, os setores produtivos apresentaram reivindicações à bancada gaúcha no Congresso.

O presidente do CIC-BG, ao elogiar o perfil “aglutinador” de Polo para a busca de consenso entre os setores públicos e privados, demonstrou grande preocupação com a área de eventos, segmento que paralisou as atividades por conta da proibição de aglomeração de pessoas.

Para Capoani, o último quadrimestre será muito importante para esse setor e para a economia como um todo. “A retomada se faz com o consenso entre os poderes e o meio empresarial. Uma cidade como Bento necessita dos eventos e tem grande força também no turismo. Acreditamos que o segundo semestre, inclusive com a Expointer sendo realizada entre o final de agosto e início de setembro, nós entendemos que os últimos três, quatro meses do ano serão fundamentais para que nossa roda comece a engrenar no contexto dos grandes eventos, alimentando os hotéis, os restaurantes, toda cadeia turística. Os eventos estão na nossa pauta para a retomada, estabelecendo um protocolo de segurança para começar a se recuperar. Economia também é saúde”, comentou.

Comprometida com o futuro do Estado, a Assembleia Legislativa, disse Polo, devolveu ao governo R$ 30 milhões para serem empregados na saúde e outros R$ 5,4 milhões, “fruto da economia dos deputados”, para oferecer maior capacidade de conexão para 900 mil alunos receberem conteúdo pela internet. “Todos estão com dificuldades e somos solidários em ouvir e buscar caminhos para o diálogo”, disse Polo.

A live foi conduzida pela jornalista Ana Paula Dixon e teve também a participação do professor Julio Pujol.

Fonte: Exata Comunicação