Crescimento do PIB mostra lenta recuperação da economia do país

FCDL-RS considera a alta de 1,0% positiva, mas entende que a continuidade da retomada do desenvolvimento nacional passa por mais reformas e pelo cenário eleitoral

O resultado do PIB (Produto Interno Bruto), divulgado pelo IBGE no dia 1º de março mostra que o Brasil está lentamente saindo do fundo do poço. A alta de 1,0% é positiva por interromper uma sequência de dois anos consecutivos de queda da riqueza do país, mas a grande questão, na avaliação da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul – FCDL-RS, diz respeito à dinâmica que esta recuperação pode assumir nos próximos meses e nos próximos anos.

– Ainda é cedo para dizermos que o contexto atual é uma efetiva retomada do desenvolvimento nacional, estagnado há muito tempo. Para apostarmos nossas fichas nesse processo, será necessária, além da aceleração da taxa de crescimento do PIB nos próximos trimestres, a continuidade da queda da SELIC, aliada a juros bem mais reduzidos para o consumo e o investimento, o que não ocorre no atual momento – afirma o presidente da FCDL-RS, Vitor Augusto Koch.

Para o presidente da FCDL-RS, a despeito das importantes reformas estruturais que estão sendo realizadas nos últimos meses, o fato é que os brasileiros ainda estão desconfiados do próprio futuro por conta dos equívocos cometidos na condução da administração pública e dos desvios éticos no âmbito da vida política.

– Precisamos estar atentos às propostas de condução das políticas econômicas e sociais dos candidatos à presidente da República. A prioridade total deve ser a retomada da capacidade de investimento e consumo no Brasil. Isso só pode ser conseguido com credibilidade, foco empreendedor do Poder Executivo e um setor financeiro competitivo, que olhe para o desenvolvimento e não para os lucros frágeis oriundos de um contexto de oligopólio e aparente cartel dos grandes bancos brasileiros – enfatiza Vitor Augusto Koch.

De acordo com o dirigente, a alta de 1,0% do PIB ainda é pobre dado o potencial de expansão de riqueza do Brasil. Ainda assim, deve ser saudado como aspecto que dá novo ânimo ao processo de aceleração do desempenho econômico nacional.

Vitor Augusto Koch demonstra preocupação com o baixo desempenho de setores produtivos como a indústria de transformação, que cresceu 1,68%, colocando as fábricas em patamar abaixo do que se gerava de valor há dez anos, quando o PIB industrial era 12,5% superior ao atual. Os serviços, que tiveram alta de apenas 0,26% também precisam ter um novo processo de expansão.

O comércio e o consumo

De acordo com os dados do IBGE o PIB do comércio brasileiro cresceu 1,76% em 2017 e o consumo das famílias 0,96. O avanço comercial marca o fim de uma forte retração iniciada em 2015 e que ainda coloca os brasileiros em um patamar de consumo 11,5% abaixo do que existia em 2014.

– É significativo observarmos que o Rio Grande do Sul apresentou um indicador positivamente diferenciado nesse segmento, uma vez que as vendas varejistas estaduais aumentaram 13,3% em 2017, fruto de uma série de aspectos, como o bom desempenho da agricultura e a queda da SELIC que acabou por estimular a compra de bens de consumo durável. A manutenção desse ritmo de crescimento no comércio, que FCDL-RS já tinha projetado em dezembro de 2017, é fundamental para que os lojistas gaúchos possam estancar as perdas que tiveram desde 2014 – lembra Vitor Augusto Koch.

A questão mais preocupando com o desempenho do PIB brasileiro em 2017 está centrada na Formação Bruta do Capital Fixo, que significa o investimento feito nacionalmente. Este grupo de geração de riqueza registrou queda de 1,84% no último ano e está em um patamar 24,7% inferior ao de 2013, deixando claro que o crescimento da riqueza do país foi calcado na capacidade ociosa existente e não em novos empreendimentos ou na ampliação dos já existentes.

Fonte: FCDL-RS