Ato em Vacaria marca a abertura oficial da colheita da maçã e da uva no RS

A abertura da vindima no Estado do Rio Grande do Sul – período que celebra a colheita da uva – acontece anualmente conforme o calendário oficial de eventos via decreto 48.838/2012, com um rodízio de localidades produtoras. Neste sábado, dia 16, foi na Serra Gaúcha nos Campos de Cima da Serra em Vacaria, o ato que contou com a presença do governador Eduardo Leite, vice Ranolfo Vieira Júnior, Secretários, representantes de entidades do setor, lideranças políticas locais, Deputados Estaduais e Federais, o senador Luis Carlos Heinze,  além de prefeitos e representantes dos municípios da região.

Dirigentes do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), Agavi (Associação Gaúcha dos Vinicultores), Fecovinho (Federação das Cooperativas Vinícolas do RS), Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Comissão Interestadual da Uva, foram algumas das entidades que também estiveram presentes.

A agenda de Leite na Serra começou ainda pela manhã durante a 14ª Festa de Produtos Coloniais (Feprocol) em Nova Pádua. Após, no CTG Porteira do Rio Grande participou de um almoço onde atendeu a imprensa, local que aconteceu o protocolo oficial. Com o apoio do Ibravin, a atividade teve a participação da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi).

O secretário de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho disse que a uva e a maçã são culturas que se destacam e merecem atenção: “Representam o potencial não só da região, mas de todo Estado. Por isso, estamos planejando políticas de governo que possam dar todas as ferramentas para apoiar os setores”.

O governador reforçou a importância do setor primário e da presença de autoridades na abertura da colheita: “Pra prestigiar o empreendedorismo e a maior capacidade do nosso povo, que é o trabalho. A gente sabe que, especialmente no caso da uva, houve episódios complicados, até com queda de granizo, que afetaram a produção, mas o povo gaúcho, resiliente e com disposição para trabalhar, garante ainda assim uma safra importante. Portanto, a gente está aqui para celebrar essa capacidade de superação e valorizar quem produz para o nosso Estado”.

O presidente do Ibravin, Oscar Ló, lamentou o granizo de outubro de 2018, que culmina com uma estimativa menor de produção para esta safra da uva. “Por ser um produto da natureza, é muito sensível a fatores climáticos e o produtor tem que conviver com as incertezas”, salientou.

Neste ano deverão ser colhidos no Rio Grande do Sul um volume 20% menor em relação ao produzido em 2018, quando a safra foi de 663,2 milhões de quilos. O Estado é responsável por cerca 90% da produção de uvas destinadas ao processamento de vinhos, espumantes e sucos e também por, aproximadamente, 90% da elaboração de produtos vinícolas no Brasil.

Do CTG, a comitiva com o governador esteve na abertura da colheita da maçã, no pomar José Sozo, em Monte Alegre dos Campos. Por fim, na Vinícola Campestre em Vacaria, colheu uva, participou de um coquetel que finalizou a passagem na Serra.

A presença do herbicída 2,4d que vem afetando a produção vitivinícola do Rio Grande do Sul, foi outro tema em pauta no discurso das autoridades, afinal, é aplicado na soja e acaba interferindo no desenvolvimento da lavoura, como da uva. O Estado já garantiu a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para discutir o tema e avalia a elaboração de uma nova legislação. Na segunda-feira, dia 18, uma reunião na Assembleia Legislativa do RS terá esta pauta como tema central, com entidades e autoridades políticas.

A questão da substituição tributária da cadeia do vinho também foi pauta na visita de Leite pela região, o que estaria também prejudicando a cadeia do vinho nacional em relação aos vinhos importados.

Os números das últimas safras gaúchas*

Ano Volume (milhões de quilos)
2011 709,6
2012 696,9
2013 611,3
2014 606,1
2015 702,9
2016 300,3
2017 753,3
2018 663,2

Maçãs 

Na última safra, o RS colheu 490 mil toneladas. A expectativa para 2019 é um pouco menor: 470 mil toneladas. No entanto, como explica o presidente da Agapomi, José Sozo, que planta maçãs há 30 anos, uma pequena redução no volume não é preocupante porque as frutas ganharam em qualidade: “É uma das melhores safras que eu vi. Uma maçã graúda, que pode ir pra exportação e atende à primeira qualidade do mercado interno. Então, nesse ano, nós vamos remunerar bem o nosso agricultor”. O RS é o maior exportador de maçãs do Brasil. Os principais compradores são a Europa e a Ásia.

Fonte e fotos: Felipe Machado – Central de Jornalismo da Difusora com informações do Palácio Piratini *direto de Vacaria