Alegando perseguição religiosa, advogada pede liberdade de satanistas em Novo Hamburgo

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A defesa de Silvio Rodrigues Fernandes, 44 anos,  apontado como o “bruxo”  que presidiu um  ritual satânico em que duas crianças teriam sido esquartejadas, em Novo Hamburgo, ingressou com pedido de habeas corpus ainda na última quinta-feira (04), alegando perseguição religiosa por parte do delegado que conduz as investigações, Moacir Fermino, que é evangélico declarado.

A advogada Denise Dal Molin Pellizzoni alega mais de um motivo para pedir a liberdade do cliente. A perseguição religiosa seria um deles. Em coletiva no final de semana, o delegado chegou a afirmar em coletiva que uma “Revelação Divina” o ajudara a elucidar o caso e identificar os suspeitos. A Polícia Civil, no entanto, afirma que há elementos bem materiais que justificam a prisão preventiva e garante a detenção dos suspeitos.

O juiz que determinou a prisão preventiva também elogiou o trabalho policial,  dizendo que há provas concretas.

Relembre

Sete suspeitos de participação em um ritual satânico que resultou na morte de pelo menos duas crianças no interior de um templo em Morugava, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, tiveram a prisão preventiva decretada. Os nomes dos suspeitos foram divulgados pela Polícia Civil de Novo Hamburgo nesta segunda-feira. Quatro deles, inclusive o líder do templo satânico, já estão presos. Os satanistas teriam recebido o valor para oferecer as crianças em sacrifício a um demônio chamado “Moloch”. Conforme a investigação, o ritual para conseguir a prosperidade no ramo imobiliário, encomendado pelos sócios, envolve sacrifício, e foi cercado da simbologia do número sete. A polícia acredita que no templo foi comida carne e tomado sangue das crianças mortas.

Os presos são: Silvio Fernandes Rodrigues, apontado como o bruxo que fez o ritual; Jair da Silva, que teria encomendado o ritual oferecendo R$ 25 mil; Andrei Jorge da Silva, filho de Jair, e Márcio Miranda Brustolin.

Segundo a polícia, são considerados foragidos o argentino Jorge Adrian Alves, que teria roubado as crianças; Anderson da Silva, outro filho de Jair, e Paulo Ademir Norbert da Silva.

Conforme a investigação, o ritual para conseguir a prosperidade no ramo imobiliário, encomendado pelos sócios, envolve sacrifício. O delegado Moacir Fermino disse ainda que tudo leva a crer que as duas crianças mortas no ritual sejam argentinas. Em entrevista coletiva, o delegado disse que Jorge Adrian tem amigos no Rio Grande do Sul e teria raptado as crianças argentinas, que seriam irmãs, em troca de um caminhão roubado.

O crime ocorreu em setembro do ano passado. Os corpos das crianças foram achados esquartejados no bairro Lomba Grande. Algumas partes estavam faltando e só foram localizadas dias depois. Os membros deles estavam em sacos de plástico em caixas de papelão abandonadas em um ponto deserto do bairro.

A polícia do Rio Grande do Sul já entrou em contato com a Interpol e com a Polícia Federal para conseguir ajuda na identificação das duas crianças. Foram realizados exames de DNA, mas não conclusivos.

Segundo o delegado, os suspeitos negam envolvimento nas mortes e dizem não conhecer o bruxo. No entanto, ele afirma que uma das testemunhas pode ser incluída na lista de pessoas protegidas, em razão de ameaças que passou a sofrer. “Está correndo risco de vida”, afirma.

“O bruxo e os outros presos dizem que não se conhecem, mas temos provas contundentes tanto no papel quanto de testemunhas, de que se conheciam, e também do ritual, com todos ajoelhados. O bruxo falava uma língua estranha, nós acreditamos que seja aramaico”, diz o delegado.

Depois dos corpos esquartejados terem sido encontrados, em 4 de setembro, outros membros foram localizados pela Polícia no dia 18.

Os crânios das crianças ainda não foram encontrados, e o resultado da perícia, acompanhado de mais oitivas de testemunhas, vão contribuir com o inquérito. “Vamos ouvir mais testemunhas […] temos vários vestígios, que a perícia vai dizer se são, ou não, sangue, e se são compatíveis com o local”, diz Fermino.

Segundo ele, além disso, a análise do material encontrado no templo pode levar mais dois meses para ser concluído, uma vez que foram encontrados diversos documentos e vídeos, que ainda serão analisados.